quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Erros na gestão eliminam 25% das startups no primeiro ano de atividade...

Troca de farpas entre sócios, investimentos minguados e operação em local sem infraestrutura adequada. Eis os principais fatores a levar a nocaute empresas incipientes com alto poder de inovação — as startups. Uma pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC) mostra que 25% das organizações fecham as portas em até 12 meses em razão dessas falhas, e apenas metade sobrevive aos primeiros quatro anos de operação.

Um dos erros mais graves, capaz de estancar a companhia perante os primeiros desafios, é a falta de afinidade entre os sócios, explica o coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda:

— Muitas vezes, os interesses pessoais e profissionais dos sócios não convergem, resultando em problemas de relacionamento, além da incapacidade de adaptação às necessidades e mudanças do mercado.

Maturidade eleva a sobrevivência

Conforme o estudo, a cada sócio a mais, a chance de descontinuidade da startup aumenta 1,24 vez. O consultor-executivo da aceleradora Ventiur, Dario Ruschel, aponta outros fatores comportamentais como determinantes para que uma empresa inovadora emplaque, como pouca maturidade por parte dos empreendedores, em geral jovens, e paciência até que o negócio decole — em geral, leva cinco anos até que uma empresa de tecnologia gere dinheiro.

— Muitas startups fecham precocemente porque os fundadores têm muita pressa em tornar o negócio rentável, e acabam tomando decisões erradas, como realizar mudanças na gestão ou no produto sem necessidade — afirma Ruschel.

A experiência foi um dos atributos que ajudou seu negócio a se firmar, avalia o empresário Alexandre Stumpf, um dos fundadores da startup Beonpop, de Porto Alegre. Aos 43 anos, ele trabalhou em outras empresas antes de criar a sua, um serviço online que compara a popularidade de marcas e pessoas. Também escolheu a dedo o sócio: um velho colega de trabalho, com quem já havia trabalhado em vários projetos.

— Com nossa experiência e uma ideia inovadora, conseguimos criar uma empresa que atraiu investidores, potencializando o crescimento do negócio — avaliou Stumpf, que, poucos meses depois de criar a Beonpop, fisgou o apoio de uma aceleradora, o que impulsionou a empresa.

Razões da ruína

Lugar errado: empresas instaladas na casa dos fundadores ou em saletas alugadas podem não comportar um crescimento desejado. Quando a empresa está em uma aceleradora, incubadora ou parque, a chance de descontinuidade cai 3,45 vezes.

Produto não emplaca: por falta de estudo de mercado, o produto da empresa não encontra respaldo dos consumidores. Sem perspectiva de negócio, a startup tem dificuldade em atrair investidores.

Decisões equivocadas: na pressa de gerar lucro, os sócios mudam o foco do negócio ou diversificam demais os produtos, abdicando das ideias originais.

Sócios não concordam: quando interesses pessoais e profissionais dos sócios não convergem, pode haver problemas de relacionamento. A cada sócio a mais, a chance de descontinuidade da startup fica 1,24 maior.

Poucos recursos: o capital investido suporta a startup por um curto período, às vezes inferior ao prazo para que comece a gerar lucro. Por outro lado, investir alta quantidade de dinheiro no início da atividade não garante o sucesso.

Fonte: ZH

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