sábado, 1 de março de 2014

Venda do WhatsApp ao Facebook ajudará a redefinir o futuro das redes sociais...

Sempre com o celular na mão, Janine Franceschi, 34 anos, é o que os especialistas chamam de usuária assídua de redes sociais. Posta fotos no Instagram, compartilha postagens no Facebook, acompanha os principais assuntos noticiados no dia pelo Twitter. Mas o programa que mais utiliza tem sido o WhatsApp.

— É mais prático para conversar, sei exatamente quando a outra pessoa leu a mensagem e ainda é gratuito — justifica.

A gratuidade é restrita a quem aderiu antes de 2013 — quem entrar agora tem de pagar US$ 0,99 em parcela única, depois do primeiro ano de uso. Para os usuários, pouca coisa muda com a aquisição. Ao menos por enquanto.

Como a compra do aplicativo por US$ 19 bilhões ocorre justamente no momento em que o WhatsApp alcança o auge de sua popularidade, é difícil saber qual é exatamente a agenda de Mark Zuckerberg. Ele disse que não pretende ganhar dinheiro com publicidade, mas é difícil acreditar que o faturamento virá apenas da pequena anuidade cobrada dos usuários. Já se admite valores maiores para mais serviços, o que pode ser um caminho, mas o garoto que saiu de um dormitório de Harvard para o universo dos bilionários do planeta deve ter planos mais audaciosos.

Daniel Bittencourt, especialista em comunicação digital pela Unisinos, avalia ser prejudicial a concentração que tem ocorrido no mercado de tecnologia. Para ele, o processo de inovação em companhias de grande porte é mais engessado. A velocidade na tomada de decisão e o pouco compromisso com as regras tornariam as startups um ambiente mais propício para novas ideias.

O especialista avalia que a quantia bilionária paga pode estimular jovens nerds empreendedores a criar uma nova onda de aplicativos similares, mais autônomos e que, se bem construídos tecnologicamente, poderão ganhar espaço no mercado, principalmente no Brasil.

Não coincidentemente, as regiões em que o mercado de internet móvel mais tem crescido são Ásia, África e América do Sul, onde o WhatsApp domina.

O sucesso, garantem especialistas, reflete um redesenho de fronteiras nas redes sociais.

— Os adolescentes já reclamam das mães e avós na rede e por isso adotaram WhatsApp e SnapChat como suas principais redes sociais. Eu acredito que o Facebook precisará passar por uma constante renovação para se manter no mercado — avalia Flávia Frossard, mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mas é ainda é cedo para dizer que o Facebook está com os dias contados, pondera Beth Saad, da USP. A especialista afirma que a rede social deve buscar novas reconfigurações, e a compra de empresas menores representa a busca por esse caminho.

— Quem seriam os verdadeiros concorrente do Facebook para ameaçar sua posição hoje? — questiona.

Fonte: ZH

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