terça-feira, 17 de abril de 2012

Dados pessoais que trafegam na web são 'o novo petróleo'

Segundo a IBM, a cada dia são gerados 2,5 quintilhões de bytes de informação.

Quanto vale saber quem será o próximo presidente dos Estados Unidos ou que time de futebol tem mais possibilidade de ganhar a Liga dos Campeões? De acordo com reportagem publicada pela BBC, especialistas assinalam que os dados que circulam na internet com a computação em nuvem, as redes sociais, os correios eletrônicos, uso de smartphones ou de sistemas de geolocalização, formam uma extensão de nosso próprio cérebro, de nossa alma e, em seu conjunto, uma intelgência coletiva digital. Agora pense em como nós, em nível individual, lidamos com estes dados para realizar predições e tomar decisões no dia a dia. Quanto poder teria quem pudesse fazer o mesmo com a internet aplicada ao mundo político, financeiro, bélico e, porque não, pessoal? Por conta disso, uma frase soa com insistência pelos corredores do Vale do Silício: os dados pessoais são o novo petróleo.

A reportagem cita o dado de que a cada dia são gerados 2,5 quintilhões de bytes de informação - segundo a IBM - no mundo, fluxo que só cresce na medida em que nossa realidade se povoa de objetos inteligentes. Nunca na história da humanidade houve registro de tanta informação e com tanto potencial para ser usada na construção de um mundo mais previsível e, consequentemente, menos volátil. É por isso que, exemplifica a BBC, a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos está envolvida na construção de um gigantesco centro de processamento de dados da internet em pleno deserto de Utah.

Citado na reportagem, o diretor de pesquisas da Telefônica Digital, Pablo Rodríguez, disse num fórum de comunicação em Madri que atualmente "somos como insetor que deixam seus feromônios pelo caminho" e assim como essas criaturas, esta informação nos ajuda cada vez mais a nos conectarmos e nos coordenarmos. Para Rodriguz, 90% desses dados ninguém vê hoje, mas em 2030 a internet vai ser capaz de transportar toda a informação que os humanos captam através de seus sentidos, informação que será usada pelas máquinas, robôs e sensores que serão nosso cérebro ampliado".
O que especialistas destacam é que muitos usuários não perceberam ainda essa realidade e não têm consciência do quanto valem seus dados. Por isso, dizem, a internet estaria funcionando com uma estrutura feudal: os usuários geram riqueza em troca do uso da "terra" da internet, enquanto os monarcas (como Facebook, Google ou Microsoft) repartem o butim.
"Não há nada grátis na internet. O que muita gente não sabe é que dar seus dados em páginas web é dar dinheiro", diz Ignacio Suárez, advogado especializado em direito da internet e proteção de dados citado pela BBC. "As pessoas teriam que estar preocupadas, os jovens, por exemplo, não sabem até que ponto estão jogando com seus dados, que é possível que eles sejam manipulados por empresas de outros continentes a quem não importa a proteção desses dados".

Mas, afinal, quanto valem nossos dados? De acordo com emarketer, webpronews e o blog de tecnologia Tech Crunch, o Facebook teria lucrado, apenas com publicidade, mais de US$ 1,8 bi em 2010, liderando uma lista em que vêm a seguir YouTube, MySpace, LinkedIn e Twitter. Entretanto, nesta espécie de "Oeste selvagem", já começam a aparecer iniciativas para restabelecer a ordem e devolver aos usuários uma certa soberania sobre sua vida digital. No início deste ano, a Comissão Europeia propôs uma reforma legal para proteger com mais eficiência os dados pessoais dos usuários e garantir essa proteção independentemente de onde eles estejam armazenados. Os usuários, amparados pelo "direito ao esquecimento", poderão solicitar seus dados e as companhias terão que informar claramento sobre o que está em jogo em seus termos e condições de uso.

Neste cenário, diz Rodrigues, se os usuários retomam o controle de seus dados e sabem gerenciá-los, "as possibilidades são enormes"."Poderemos desenvolver aplicações que nos permitam entender qual é nosso potencial de crescimento". Ou seja, poderíamos doar nossos dados, por exemplo, para projetos científicas que tentem descobrir curas ou predizer, por exemplo, o desenvolvimento de um câncer, ou saber o que podemos fazer para otimizar nossos gastos e chegar mais folgados ao fim do mês. Mas, destaca a reportagem, para aproveitar todos este petróleo de dados, fazem falta muitas refinarias: supercomputadores para conhecer o significado dos quintilhões de dados que circulam todo dia pelas vias da internet, ou aplicações que permitam adaptar esta tecnologia às nossas necessidades.

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