segunda-feira, 12 de março de 2012

Empresas usam as redes sociais para se reinventar no mercado

A explosão das redes sociais na internet atrai o interesse das empresas e da figura do "community manager", uma função corporativa online, que ganha força e se configura como uma boa solução para empresas que começam ou têm que se reinventar.

Sabia que graças aos inúmeros admiradores de uma página do Facebook, a Ikea fez uma festa do pijama só para eles? Sim, a empresa sueca vem se transformando em uma das companhias mais inovadoras convidando seus fãs para lanches, massagens e sessões de manicure.

Tudo começou quando a empresa soube da existência de uma página do Facebook que foi "curtida" por 98 mil pessoas denominada "I Wanna Have a Sleepover in Ikea" ("Quero fazer uma festa do pijama na Ikea") e, para a surpresa dos usuários que se comunicavam ali, tornou a ideia possível. Foi organizado um concurso entre os admiradores e alguns foram convidados a passar a noite em uma das lojas.
Outro exemplo desta interação com os clientes foi protagonizado pela marca Levi's, que apostou em uma ferramenta menos conhecida, o Instagram, para se aproximar das pessoas. Através da hashtag "#iamlevis", a grife recrutará, entre os internautas que fizerem upload de suas fotos, os próximos protagonistas de seus comerciais.

Este é um fenômeno denominado Marketing Social Media: trata-se não só de pensar e executar campanhas diferentes, mas também de estar atento ao que acontece e escutar os clientes para surpreendê-los.
Brasil, um País bem "tuiteiro"
Entre 2008 e 2011, o número de usuários de redes sociais duplicou e 31% deles entram no Facebook várias vezes ao dia. Sete em cada dez usuários da internet móvel se conectam a alguma plataforma social através de seu dispositivo, e 29% o fazem diariamente.

Um estudo realizado pela Universidad Complutense de Madrid (UCM) junto com a empresa de consultoria de comunicação digital Top Position apontou que 97,7% dos vestibulandos espanhóis são usuários de uma ou mais redes sociais.
A análise também destacou que Brasil, Itália e Espanha são os países com maior uso das redes sociais como perfil pessoal. O Brasil, uma das maiores economias emergentes do mundo, é o segundo país que mais envia mensagens do Twitter no planeta, atrás dos Estados Unidos.
O diretor-geral da Google para a América Latina considera que a região oferece grandes oportunidades de crescimento. "Curiosamente, o usuário latino-americano hoje está mais avançado do que as empresas no uso da internet", acrescentou.
Os números falam por si e constatam que as redes sociais chegaram para ficar. Em seu livro Socialholic, os irmãos Fernando e Juan Luis Polo explicam a importância das redes sociais para as empresas no marketing atual.
Marketing de Mídias Sociais para empresas mais inovadoras
Os dois são donos da agência madrilena Territorio Creativo, empresa de consultoria de Social Media Marketing, e seu trabalho é ajudar as empresas mais inovadoras a explorar todas as possibilidades que as redes sociais oferecem.

Fazendo jus à sua filosofia e por conta do lançamento do primeiro blog corporativo sobre marketing publicado pela agência, o "eTc", (territoriocreativo.es/blog), foi cuidadosamente elaborada uma estratégia de marketing. O resultado foram 4 mil visitas na primeira semana e 200 assinaturas em dez dias, além de o número de acessos do site ter se multiplicado por dez.
Enquanto muitas empresas pensam que as redes sociais são como um "alto-falante", o importante é que sua equipe adquira o hábito de usar estas ferramentas. "É uma vantagem competitiva criar dentro da empresa um mercado das ideias", comenta Juan Luis.

Socialholic não é só o nome do livro, mas também um novo conceito com o qual os irmãos Polo denominam o consumidor atual. "Uma pessoa conectada com o mundo, ligada à atualidade, com muita vontade de compartilhar as coisas e que encontrou a tecnologia como aliada. O consumidor ganha poder e é preciso começar a investir na relação com os clientes", explica Juan Luis.
Segundo a dupla, "agora as marcas não têm mais desculpa para não escutar os clientes e agir". "Coletar pedidos, dicas, propostas e ideias que chegam via redes sociais e que podem se tornar realidade caso sejam tomadas decisões de uma maneira rápida e inteligente. Essa é uma nova filosofia, na qual é importante interagir com os usuários".
Consumidores no poder
De acordo com os especialistas, a quantidade infinita de informações disponíveis na rede e a facilidade e rapidez geradas por seu uso praticamente obrigam as empresas a serem mais transparentes. "Se o consumidor observar algo que não lhe agrada, pode expor isso na web em forma de comentário, vídeo ou fotos, o que pode se transformar no pior pesadelo para a companhia".

Os comentários dos internautas adquirem tanta importância que é possível que os consumidores sejam influenciados na decisão de compra. Segundo o Observatório Nacional das Telecomunicações e da Sociedade da Informação espanhol, 47,4% dos usuários que obtêm informações sobre produtos ou serviços se mostram "bastantes ou muito influenciados" pelo julgamento feito por outras pessoas na internet.
"É evidente que você vai confiar mais em um amigo do que em uma empresa. Isso sempre aconteceu, mas agora vemos isso na rede por meio dos comentários", comenta Juan Luis. Por essa razão, os irmãos Polo apostam na figura do "community manager", que se encarrega de cuidar e manter a comunidade de fiéis seguidores que a marca ou empresa atrair, além de ser o elo entre as necessidades deles e as possibilidades da companhia.

"Para isso, deve ser um verdadeiro especialista no uso das ferramentas de Social Media", explica a dupla. Há empresas líderes que estão formando seus empregados para que possam falar por elas, em vez de estabelecer interlocutores oficiais. Segundo os autores de Socialholic, o objetivo é conseguir com que toda a empresa seja um "community manager".

A importância das redes sociais é evidente, mas há muitas empresas que se mantêm reticentes à mudança e encontram barreiras que as impedem de explorar esse novo horizonte. Juan Luis considera que o principal obstáculo é fazer com que a companhia compreenda o que os meios sociais podem fazer por sua rentabilidade, produtividade e competitividade.

"Somos especialistas em ajudar esse tipo de empresas. É preciso fazer isso de dentro, levando em conta que em muitas delas há funcionários que talvez não saibam se relacionar em comunidade. É preciso ensiná-los a fazê-lo e criar equipes", explica.

Para isso existe uma infinidade de ferramentas, como portais internos, com os quais os empregados podem se comunicar entre si, opinar, apresentar novos aprendizados. Aprender a denominada "gestão do conhecimento" é bastante importante. "É um processo longo que requer o envolvimento de toda a companhia", reforçam os irmãos.

Fonte: Terra

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